Todo fã de rock n´roll, em um momento ou
outro- ou a vida inteira mesmo- tem, ou teve, a mania de rotular bandas.
Vamos confessar: é quase irresistível discutir se “Master of Puppets”
ainda se identificava com a estética thrash ou não, se o LED era heavy
metal ou hard rock, se tal banda era speed ou não. Tudo bem é mesmo bobo
e tal- mas que é legal, é.
Nota: 10









O texto representa a opinião do autor
Nessas
discussões da vida, apareceu há vinte e poucos anos o termo grunge.
Como aconteceu com o termo “punk” dez anos antes, o “movimento”
enquadrava, em termos de sonoridade, bandas que tinham pouca ou nenhuma
identificação entre elas, como ALICE IN CHAINS e PEARL JAM. A bem da
verdade, o termo foi criado pelo selo Sub Pop, gravadora que lançava
bandas do underground americano, e no início da década de 1990,
contratou Everett True, repórter do Melody Maker, para uma reportagem
sobre essas bandas. Daí a nomenclatura caiu na boca do povo.Um
dos grupos “iniciados” no Sub Pop foi o SOUNDGARDEN. Em 1987 foi
lançado, pelo selo o EP, “Screaming Life”, que já mostrava a orientação
metal da banda, uma espécie de BLUE CHEER contemporâneo, barulhento e
eficientíssimo. Depois de dois bons álbuns- “Ultramega Ok” em 88 e
“Louder Than Love” em 89- a banda lança, em 1991, “Badmotorfinger”.
O
disco é explosão metal pura com forte influência do início da década
anterior - repleto de riffs no melhor estilo “cacetada” e um vocalista
singular, CHRIS CORNELL. Contando ainda com MATT CAMERON (bateria), KIM
THAYL, na guitarra e BEN SHEPPERD no baixo, o que se tem aqui são doze
faixas de esporro puro, sem frescura e com alto grau de testosterona.
“Rusty
Cage” e “Outshined”, que abrem o álbum, são bons exemplos do que uma
“alfabetização” correta em rock n´roll pode fazer: a primeira, com uma
afinação de guitarra fora do padrão (uma constante no disco) foi
regravado por gente do gabarito de JOHNNY CASH; a segunda é
confessional- segundo CORNELL trata da idéia da dessacralização da
figura de ídolo, que ele admitia não suportar.
Uma constante no
disco é o inacreditável peso que permeia todas as canções: “Slavers and
Bulldozers” e “Drawing Flies” possuem um dos melhores registros vocais
de CORNELL (o que não é pouca coisa!), botando tudo pra fora em um
estilo único. Se “Jesus Christ Pose” tem uma tremenda letra, criticando a
religião usada com fins não tão nobres, “Room a Thousand Years Wide”
não fica longe nesse quesito, mandando balas nos estereótipos envoltos
nesse tema.
As variações rítmicas também são um destaque a parte:
“New Damage”, “Somewhere” e “Face Pollution” são ótimos exemplos de como
sair do esquema “quadradão” de ritmo. São essas alternâncias,
inclusive, que criam identidades próprias às músicas- coisa rara de se
ver em um momento em que se criam pacotes de produção onde é quase
impossível se distinguir uma coisa da outra.
Enfim - rótulos a parte- Nota: 10.
Track list:
1. "Rusty Cage"
2. "Outshined"
3. "Slaves & Bulldozers"
4. "Jesus Christ Pose"
5. "Face Pollution"
6. "Somewhere"
7. "Searching with My Good Eye Closed"
8. "Room a Thousand Years Wide"
9. "Mind Riot"
10. "Drawing Flies"
11. "Holy Water"
12. "New Damage"
Fonte:
Badmotorfinger - Soundgarden - Resenhas de CDs http://whiplash.net/materias/cds/157915-soundgarden.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2FiSMr+%28WHIPLASH.NET+-+Rock+e+Heavy+Metal%29#ixzz1zNDks9gK